{"id":1389,"date":"2020-10-28T21:30:13","date_gmt":"2020-10-28T20:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/holambra.nl\/?p=1389"},"modified":"2020-10-28T21:30:13","modified_gmt":"2020-10-28T20:30:13","slug":"holambra-6-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/holambra.nl\/?p=1389","title":{"rendered":"Holambra (6): A sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>No final de 1948, a ent\u00e3o Fazenda Ribeir\u00e3o j\u00e1 tinha alguns moradores imigrantes holandeses, entre eles os senhores W .Miltenburg, T .Cruijsen, W. Welle, L. Koopmans e J. Palmen. Como eram solteiros e pouco ou nada tinham a perder, vieram na frente para prepararem as moradias, para a chegada das primeiras fam\u00edlias da Holanda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1394 size-full\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.9.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.9.jpg 960w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.9-300x205.jpg 300w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.9-768x524.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><!--more-->Na Fazenda Ribeir\u00e3o, al\u00e9m da casa sede da fazenda, havia alguns poucos barrac\u00f5es e algumas casas de pau a pique. Estas, constru\u00eddas de forma r\u00fastica com bambu entrela\u00e7ado e barro, eram sujas, sem piso, sem janelas, sem energia ou \u00e1gua e totalmente sem conforto. Os solteiros eram encarregados de \u2018melhorarem\u2019 estas moradias, no melhor poss\u00edvel.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1391\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.11-218x300.jpg\" alt=\"\" width=\"218\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.11-218x300.jpg 218w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.11.jpg 699w\" sizes=\"auto, (max-width: 218px) 100vw, 218px\" \/><\/a>Os senhores Miltenburg e Cruijsen, por interm\u00e9dio de um Padre de Jaguari\u00fana, procuraram contato com o Dr. Arlindo Jacob, m\u00e9dico clinico e obstetra.<\/p>\n<p>Esse contato seria para prevenir qualquer eventualidade ou emerg\u00eancia. Mas o Doutor, admirando os holandeses pela coragem de terem imigrado para um total desconhecido, prontificou-se de imediato e com muito entusiasmo, a ajud\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em breve, a Fazenda Ribeir\u00e3o receberia grande numero de fam\u00edlias e estas, com grande n\u00famero de filhos. Algumas das fam\u00edlias numerosas que atravessaram o Atl\u00e2ntico de navio, por longas semanas, j\u00e1 vieram\u00a0 com 10 a 12 filhos, e algumas mulheres com seu filho no ventre.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1393\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.6.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.6.jpg 960w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.6-300x225.jpg 300w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.6-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a>No inicio, sempre que necess\u00e1rio, o Sr. Toon Graat era o encarregado em buscar o m\u00e9dico, de jipe, em Jaguari\u00fana. Mas n\u00e3o demorou, com a popula\u00e7\u00e3o aumentando rapidamente com a vinda de mais imigrantes, como tamb\u00e9m, o nascimento de seus filhos, o Dr. Arlindo come\u00e7ou a vir com seu pr\u00f3prio carro. Mesmo assim, o Sr. Graat ficava de plant\u00e3o na entrada da fazenda, com um trator ou Jeep, para eventualmente guinch\u00e1-lo fora da lama. Isso n\u00e3o tirava o sempre bom humor do m\u00e9dico, que descia de seu carro e ajudava a desatolar, mesmo se sujando todo.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico n\u00e3o falava holand\u00eas e pouco, ou nada, os holandeses falavam portugu\u00eas. A solu\u00e7\u00e3o primeiramente encontrada foi do acompanhamento do Sr. Miltenburg, como \u2018meio\u2019 int\u00e9rprete, provocando situa\u00e7\u00f5es muitas vezes, embara\u00e7osas e c\u00f4micas. Certa vez, uma rec\u00e9m chegada senhora holandesa, entrou em trabalho de parto. O m\u00e9dico entrou no quarto da futura m\u00e3e e o Sr. Miltenburg ficou do lado de fora, na janela e embaixo de uma forte chuva, para tentar traduzir os gritos e gemidos da mulher para o m\u00e9dico e as orienta\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico para a gestante. A mulher, deitada em sua cama, sofrendo as dores do parto, ainda se preocupava em segurar um guarda chuva em suas m\u00e3os, para fugir das goteiras do telhado. Enquanto isso, o futuro papai se encontrava sentado em cima do fog\u00e3o a lenha, pois era o \u00fanico lugar seco da casa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.10.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1395\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.10.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"629\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.10.jpg 960w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.10-300x197.jpg 300w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.10-768x503.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a>Costumavam dizer que, naquela \u00e9poca, as crian\u00e7as j\u00e1 nasciam batizadas, antes mesmo do padre chegar, por motivo da \u00e1gua da chuva invadir as casas, pelo telhado prec\u00e1rio ou mesmo, pelas frestas nas paredes de \u2018pau-a-pique\u2019. Era comum tamb\u00e9m, receber visitas dentro de casa, com o guarda chuva aberto. Mas de forma alguma, perdiam o bom humor.<\/p>\n<p>Logo a Irm\u00e3 Ancilla tomou o lugar do int\u00e9rprete. O Dr. Arlindo atendia seus pacientes de casa em casa e posteriormente, na casa da enfermeira Annie Geene, onde foi improvisado um consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>O Dr. Arlindo logo se tornou um \u2018m\u00e9dico amigo\u2019 e um \u2018amigo m\u00e9dico\u2019. Mesmo n\u00e3o entendendo o idioma, era confidente de muitos imigrantes que, a ele desabafavam seus males e lhe confidenciavam as saudades de familiares e da terra natal. A saudade era a causa da grande maioria de doen\u00e7as! S\u00f3 o olhar carism\u00e1tico, simp\u00e1tico e humano do doutor, j\u00e1 funcionava como rem\u00e9dio ou consolo, n\u00e3o necessitando a troca de palavras no mesmo idioma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m trabalharam com o m\u00e9dico, ao longo dos anos,\u00a0 as enfermeiras Toos van Lieshout (Miltenburg), Annie van Lieshout (Kievitsbosh), Floor Koper (Welle), Elly Paulussen, Mathilda Gruyter (van Kampen) e Catharina Plagge, mais conhecida como D. Tinny, entre outras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1396\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15.jpg\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15.jpg 1440w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15-300x225.jpg 300w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.15-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\" \/><\/a>A D. Tinny serviu longos anos \u00e0 comunidade, enfrentando grandes dificuldades, principalmente o transporte, devido as dist\u00e2ncias entre os s\u00edtios. Hora ia a p\u00e9, hora de charrete. Algumas vezes na traseira de um trator, segurando se na cintura do motorista. Este sofria a cada solavanco dos buracos das estradas prec\u00e1rias, pois seu est\u00f4mago ia sendo comprimido pelas m\u00e3os da enfermeira. Chegando ao destino, D. Tinny n\u00e3o sabia se atendia primeiro o paciente doente, ou o motorista que chegava passando mal. Ap\u00f3s muitos anos, o Sr. Henk de Bruin deu a ela algumas aulas de dire\u00e7\u00e3o, em um jipe da Cooperativa. Este seria seu novo ve\u00edculo. O que o Sr. Henk esqueceu, foi de ensinar que o jipe tinha 4 marchas, pois ela s\u00f3 usava a segunda e quarta marcha, e de longe podia se ouvir sua chegada.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1398\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.8-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.8-300x194.jpg 300w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.8-768x497.jpg 768w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.8.jpg 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a>Muitas crian\u00e7as nasceram pelas m\u00e3os da enfermeira Tinny. J\u00e1 maiorzinhos, ap\u00f3s uma consulta, as crian\u00e7as sempre recebiam uma bala ou pirulito, que a enfermeira guardava em sua bolsa ou gaveta. Para crian\u00e7as mordidas por cachorro, ap\u00f3s o longo tratamento doloroso de trinta inje\u00e7\u00f5es em volta do umbigo, o Dr. Arlindo presenteava o paciente com uma bola de futebol. N\u00e3o tem quem viveu a \u00e9poca da D.Tinny que j\u00e1 tenha se esquecido da dor sentida pelas inje\u00e7\u00f5es de agulha grossa, que ela aplicava.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.14.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1397\" src=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.14-176x300.jpg\" alt=\"\" width=\"176\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.14-176x300.jpg 176w, https:\/\/holambra.nl\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/HOL-6.14.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 176px) 100vw, 176px\" \/><\/a>Durante os quase trinta anos como o \u2018amigo m\u00e9dico\u2019, o Dr. Arlindo se dedicou muito \u00e0 comunidade da fazenda e nunca aceitou remunera\u00e7\u00e3o, mas era pago com laranjas e galinhas. No entanto, teve reconhecido o seu dedicado trabalho na col\u00f4nia, sendo honrado pelas autoridades da Holanda, recebendo em 1959 uma medalha oficial holandesa, na ordem de Orange de Nassau. Uma\u00a0 honraria muito merecida!<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima ter\u00e7a feira a Parte 7 \u2013 \u201cCultura, Esporte e Lazer\u201d.\u00a0 At\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n<p>Pesquisa e texto : Catharine Welle Sitta, Fotos: Wim Welle<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final de 1948, a ent\u00e3o Fazenda Ribeir\u00e3o j\u00e1 tinha alguns moradores imigrantes holandeses, entre eles os senhores W .Miltenburg, T .Cruijsen, W. Welle, L. Koopmans e J. Palmen. 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