Holambra (2): A viagem

A viagem de imigração era, na maioria dos grupos, feito em navios de carga, com limitação de espaços para os passageiros, deixando-as comprimidas umas às outras e sem privacidade. O numero de cada grupo, variava até sessenta pessoas por viagem. E foi assim que eles estabeleceram seus primeiros contatos com os demais imigrantes, fazendo amizades durante as longas três semanas de travessia do Atlântico. A ajuda mútua era necessária nos momentos difíceis, pois muitos sentiram enjoos e estavam enfraquecidos pela fome. Após a primeira semana, a alimentação já se tornara pouca ou estragada.

Chegando ao primeiro porto brasileiro em Recife, também o primeiro contato com a nova terra, os holandeses se impressionaram com a linda paisagem, o tipo físico das pessoas, as frutas e legumes vistos no mercado e logo se conscientizaram de que a língua portuguesa e o clima quente, seriam seus grandes obstáculos para a sua adaptação!

Seguindo viajem, do porto de Santos até Campinas, o trajeto foi feito de trem. Duas locomotivas para puxar alguns vagões, deixaram os imigrantes espantados! Por que duas locomotivas? A resposta veio quando avistaram a Serra! Enormes montanhas, onde uma locomotiva necessitava da força da outra, para subir a serra íngreme! Bem diferente da paisagem plana da Holanda, onde os olhos alcançam o horizonte. De Campinas para a Fazenda Ribeirão, o trajeto de 40 quilômetros já era um pouco mais confortável, em um ônibus e a bagagem seguia de caminhão, embora alguns trechos eram esburacados e escorregadios. Em Campinas foi a vez dos holandeses chamar a atenção dos brasileiros, pois em dia de semana e o calor tropical, os imigrantes homens estavam de terno e as mulheres com ‘roupa de domingo’ com meias brancas no calçado.

Uma senhora mal chegando na Fazenda Ribeirão, em sua nova morada, uma casa de pau a pique, entrou em trabalho de parto. Um médico foi chamado, vindo da cidade vizinha Jaguariúna. Dr. Arlindo se viu em apuros por sua nova paciente não falar o português. Mas seus gritos eram de língua universal. Mesmo assim, um tradutor se posicionou do lado de fora da casa e pela janela fechada, tentou ajudar o bom Doutor!

Os primeiros sítios foram formados com o trabalho comunitário! Casas novas foram construídas e as primeiras plantações cultivadas, com a ajuda mútua de todos, trabalhando dia e noite, por turnos. Os tratores só paravam para abastecer ou trocar de motorista. Cavalos também eram usados para puxar o arado, mas na falta dele, os próprios imigrantes puxavam o equipamento pelos ombros.

O Sr. Zé Libano, ex-funcionário do Frigorífico Armour e que permaneceu para ajudar os imigrantes, me relatou que certa vez, ao trabalhar no turno da noite, dirigindo um trator, passou grandes apuros em seu turno. Ele avistou um ‘lobisomem’ com dois grandes olhos brilhantes. Mas quando resolveu saltar do trator ainda em movimento e com um grande facão na mão , conseguiu ver que apenas se tratava de um gato selvagem. Por via da dúvida, trocou seus próximos turnos com outro colega.

O trabalho era pesado, principalmente devido ao clima quente e nem sempre a capacidade física dos imigrantes era considerada pelas lideranças, que exigiam o trabalho concluído em tempo, para logo iniciarem em outro sitio.

Enquanto alguns trabalhavam na construção das moradias, outros se dedicavam às plantações. Mas as fortes chuvas e as pragas daninhas, desconhecidas pelos lavradores holandeses, prejudicaram as primeiras colheitas.

O gado holandês puro de origem que trouxeram para servir de base na fabricação de laticínios, devido a longa viagem de navio, a vacinação recebida em São Paulo, a febre aftosa e outras doenças, não foi bem sucedido. O Sr. Piet Wagemaker, antes do gado ser sacrificado, coordenava a pequena produção de laticínios. E assim, com tantas dificuldades encontradas, muitos imigrantes desistiram e retornaram para a Holanda ou foram tentar a sorte mais ao sul do Brasil, onde o clima era mais ameno, como em Castrolanda, Arapoti e Carambeí no Paraná e Não Me Toque no Rio Grande do Sul.

Proxima terca feira teremos a Parte 3 – até lá!

Pesquisa e Texto : Catharine Welle Sitta. Foto’s: Wim Welle

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