Holambra (4): As novidades e as dificuldades

Em 1948, quando para cá vieram, os primeiros imigrantes holandeses pouco sabiam sobre o Brasil. Mas antes da viagem, reuniam se para fazer um curso rápido, no “Ons Erf’ na cidade De Steeg, para aprenderem algumas palavras como sim ou não, saberem o que poderiam levar em suas bagagens e um pouco de informações sobre o Brasil. Mas a maioria dos imigrantes, concorda que as informações recebidas, era o mesmo que nada! Por isso, chegando ao Brasil, a cada hora, uma novidade surgia diante de seus olhos.

Na viagem de Santos para Campinas, se perguntavam do por que da necessidade de duas locomotivas, para puxar um trem? A resposta vinha logo, ao avistarem as enormes e íngremes montanhas da Serra do Mar. As montanhas eram lindas, mas assustadoras aos olhos dos imigrantes de terras planas, onde o olhar alcança o horizonte.

Plantações de bananas, fruta verdadeiramente tropical, também era novidade.

Enormes “cupinzeiros” por eles era confundido por grandes montes de estrume de gado, até um pioneiro chutar um monte e ficar com seu pé inchado e dolorido. Só então se informaram do que era.

O “mata burro” na entrada da fazenda, também deixou forte impressão, tanto pela fragilidade da ‘ponte’, bem como a tradução ao pé da letra!

Chegando à casa sede da Fazenda Ribeirão, mais novidades os aguardava! Uma enorme trepadeira de folhas verdes e flores vermelho-forte, crescendo na cerca e telhado da casa, não passou despercebido. Era uma linda Primavera.

Na recepção aos novos imigrantes, as Irmãs Religiosas  Ancilla, Gemma e Magdalena, ofereciam uma farta mesa de café. O café forte e amargo, bem brasileiro, na opinião de todos, só podia ser erro de receita. A ‘mortadela’ com cheiro de alho, também não caiu no agrado!

As primeiras famílias foram abrigadas nas casas já existentes, feitas de bambu trançado e barro, conhecidas no Brasil como Pau a Pique, mas nunca vistos pelos holandeses. O piso era de chão batido, que os primeiros solteiros a chegar, cimentaram e pintaram as paredes de barro com cal. Deu uma impressão melhor! As novas donas de casa, antes de a noite cair, varriam suas moradas para terem a certeza de não encontrarem visitantes indesejados, as cobras. Até faziam competição com suas vizinhas, apostando quantas cobras iriam encontrar ou a maior.

Elas também tiveram que se acostumar com a falta de fogão a gás e aprenderam a cozinhar e assar no fogão e forno a lenha. Só não sabiam explicar o porquê da comida hora queimada, hora pápa e dos bolos e pães duros como pedra!

Arroz e feijão, comida local, não tinha muito sabor quando preparada pelas holandesas. Muitas vezes sem sal ou salgada demais. E o cheiro era completamente diferente quando vinha das marmitas dos colonos brasileiros. Esse era delicioso! Então, sem o tempero certo (alho), cada imigrante tentava fazer em seu prato a melhor mistura. Uns acrescentavam açúcar e canela ao arroz, outros amassavam mamão junto com o feijão. Afinal, gosto não se discute! O que os holandeses estavam acostumados a comer, aqui ou não tinha, ou a produção se tornou prejudicada devido ao clima e solo brasileiro, perdendo assim as primeiras produções. Legumes e verduras tropicais demorou para eles descobrirem ou se adaptarem.

O primeiro churrasco deixou marcas inesquecíveis pela hospitalidade brasileira, a simplicidade de um povo e principalmente pelo ‘odor’ da carne queimando no espeto de bambu. Esta confraternização foi oferecida pelo Dr. Arlindo, médico de Jaguariúna, em sua chácara às margens do Rio Atibaia, para apenas cinco privilegiados solteiros da colônia holandesa. A mistura de temperos como alho, pimenta, limão, vinagre e muito sal, deixou a carne com cheiro de ‘envenenada’, mas como, sendo oferecido por um médico? Os rapazes fecharam os olhos e o nariz ao experimentarem o primeiro pedaço. E para grande surpresa, sentiram um delicioso sabor. Mas a grande quantidade de carne enjerida e alguns copos de Chopp geladinho, fez com que, horas depois, deitados em suas camas, os novatos sentissem seus estômagos em ‘guerra’! Naturalmente a carne foi culpada pelo mal estar, dor de cabeça e sede que sentiram no dia seguinte, e não a quantidade de Chopp!

As mulheres não encontraram aqui, o conforto que conheciam na Holanda. Aqui só luz de lampião e a energia elétrica só chegou em todas as casas no final dos anos 1960. Umas das senhoras havia trazido em sua bagagem, um aspirador de pó, outra trouxe uma maquina de lavar roupa. Estes ficaram como decoração por vários anos. Os móveis e louças trazidos da Holanda, em pequenos contêineres, pelo transporte não adequado, chegou muito danificado ou quebrado. Para deixarem as suas casas mais agradáveis e menos rústicas, a ideia foi pendurarem tapetes, tipo persa, nas paredes.

Água encanada não havia, mas poços caipiras foram escavados para servir as famílias. Quando o poço secava, as mulheres buscavam água com baldes, em um pequeno córrego. Trabalho pesado para cozinhar, lavar roupas e dar banho em seus filhos. Até que notaram a ‘inteligência’ das mulheres brasileiras que levavam seus filhos e a roupa suja até o córrego. Com esta descoberta prática, ir até o córrego para fazer seus afazeres, se tornou um evento prazeroso! Mas para as mulheres não era permitido banhar se no córrego, pois podiam atrair olhares dos homens brasileiros.

O banheiro foi o maior desafio! Uma pequena e precária ‘casinha’, afastada das casas, com apenas um buraco no chão servindo como vaso sanitário. Algumas ‘casinhas’ serviam coletivamente para várias famílias. Mas para algumas famílias que moravam mais próximo ao córrego, a ‘casinha’ foi construída sobre ele, para a diversão das crianças que se divertiam ao ver suas “necessidades” disputadas pelos pequenos peixes.

Os primeiros pioneiros tiveram grande dificuldade para se adaptarem! Encontraram trabalho pesado e vários problemas pelo caminho, mas em todos os relatos em minhas entrevistas, me contaram com grande sorriso emocionado, que enfrentaram tudo com coragem, determinação e principalmente muito bom humor. Relembrando essas histórias, todos relataram muito orgulho ao ver como bela se tornou a nossa Holambra!

Em breve a Parte 5 – A Vida Religiosa. – Até lá! Enquanto isso, deixe aqui seu comentário!

Pesquisa e texto : Catharine Welle Sitta. Fotos: Wim Welle

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